terça-feira, 18 de setembro de 2012

Eu conheci o meu único ídolo brasileiro...

Existe um tipo de droga que muitas pessoas usam para fugir do mundo real: a idolatria. Como usuária moderada, observo que há momentos em que precisamos fugir de nossas realidades nada especiais para sonharmos com a vida daqueles seres atrás das telas que parecem tão extraordinários. Daqui de fora, o que se passa nas telas parece um mundo perfeito: as pessoas são talentosas, felizes, famosas e realizadas. As pessoas das telas são idolatradas no mundo real...

Quem não gosta de ser reconhecido pelo seu talento ou pelo seu trabalho? É um sonho que deve caber na vida de qualquer indivíduo. Provavelmente, as pessoas das telas também sofrem de muitos dos dilemas que enfrentamos; elas devem ter de trabalhar muito para se tornarem estrelas de grandeza maior. Não deve ser fácil. É uma carreira que exige esforço e dedicação (assim como as carreiras da vida real que almejamos)... Porém, a grande diferença que reside entre o mundo das telas e o mundo real é o reconhecimento - aquilo com que todos nós sonhamos (eu imagino...).

Às vezes, o reconhecimento de um talento pode levar anos, pois, especialmente, no país em que moramos, talentos são frequentemente confundidos com... Bem, confundidos com outra coisa que eu não consigo compreender ou explicar para vocês (se é que há pessoas lendo este post, visto que sou apenas alguém do mundo real).

Mas talentos do mundo das telas não são apenas aqueles que ganham maiores cachês, aqueles que aparecem em mais comerciais, aqueles que já perderam a conta de quantas vezes trabalharam no horário nobre. Não. Talentos são reais também; talentos são diferentes daquilo que a maioria gosta (ou acha que gosta); talentos buscam fazer aquilo que gostam (e não aquilo que rende mais). Há talentos que buscam em outra cultura a inspiração para a realização de seus sonhos, tendo de enfrentar o estranhamento ou o desconhecimento da gente que faz parte do lugar em que vivem.

Há pessoas que conhecemos devido às telas que estão há mais de 4 décadas por aí, mas que há pouco tempo nos alcançou pela mídia. Por quê? Imagino que certos dons, como uma voz de barítono, não seja algo simplesmente que se adquira com prática - é preciso nascer com uma voz assim (é claro que técnicas para aprimoramento existem, mas você não decide ter um dom assim). Mas por que aqui, neste país em que nasci, não se idolatra aquilo que é diferente?

Eu acredito que é um problema de educação cultural. Cultura no Brasil é cara e poucos têm acesso. Aquilo que é diferente, muitas vezes, fica restrito a grandes centros urbanos (como garantia de que haverá público) com valores que só uma pequena parcela da população pode pagar. É um cenário triste, mas a arte não é valorizada como se deve em um país subdesenvolvido (para mim, o Brasil só será desenvolvido quando for o sexto no ranking da educação...). Quem conhece o que é diferente? Aqueles que têm acesso a uma boa educação, aqueles a que diversas culturas lhes são apresentadas.

Como ter uma formação integral como ser humano se o indivíduo fica restrito a um mundo em que não lhe é oferecido a possibilidade de conhecer o novo? Como alguém pode saber se gosta ou não de teatro, por exemplo, se em sua cidade não há espaço para isso? Como mudar a perspectiva de mundo de pessoas que SÓ têm acesso à programação nada diversa da televisão aberta?

Eu tive a oportunidade de estudar e de ter professores que estavam dispostos a causar estranhamento em seus alunos para que eles conhecessem algo novo e aprendessem a ir atrás de novidades em outras culturas. Sorte a minha. Mas tenho plena consciência de que não são todos os jovens que têm chances como eu tive. Nem todos estão dispostos a terem uma mente mais aberta para aceitar o diferente, o incomum. 

Meu gênero de entretenimento preferido eu conheci na escola - com meu professor de inglês (thank you, teacher - wherever you may be!).  Ah, é o musical! Ele passou cenas de "The Phantom of the Opera" e foi paixão à primeira vista. Bom, eu já era fã dos desenhos maravilhosos da Disney - mas nunca havia pensado neles como musicais. Depois vieram (ainda em DVD) "My Fair Lady" - meu favorito sem sombra de dúvida por uma série de razões particulares -, "West Side Story", "Singin' in the Rain", "Grease", "The Sound of Music", "Rent" e muitos outros...

"Se você gosta tanto assim de musical, por que você não assistiu a um ao vivo ainda?"

EXCELENTE PERGUNTA! O problema é que eu moro no Rio Grande do Sul. As adaptações de musicais da Broadway ficam restritas a São Paulo e ao Rio de Janeiro (núcleos artísticos do país). Eu quero muito ver uma adaptação brasileira, pois, pelos vídeos que eu vejo, os musicais com o elenco brasileiro são fantásticos! Recheados de talentos desconhecidos e outros conhecidos também. Estou me organizando para ir no próximo ano - talvez!

Isso me faz lembrar do motivo pelo qual eu comecei a escrever este post... É que eu conheci o meu ídolo brasileiro (o único da minha lista nacional). É um cara que eu admiro muito! Ele é ator (sim, aparece nas famosas telas), mas ele canta e tem uma voz linda (uma voz de balançar as estruturas). Virei fã dele quando eu vi pela televisão uma divulgação da adaptação brasileira do musical "My Fair Lady". Eu fiquei maravilhada com o talento desse artista e comecei a procurar mais informações sobre ele... Achei o musical  "A Bela e a Fera" completo de 2002 na internet para ver... Foi mágico! Eu até comecei a gostar do Gaston só por causa dele! Eu adoro múltiplas expressões faciais para expressar diversos sentimentos - e isso é um outro talento que ele tem de sobra! Enfim, apaixonei-me pelo talento dele, pelos trabalhos que realizou e pela voz surpreendente - algo que eu nunca havia escutado por aqui antes.

Em 2010, ele lançou um CD e se apresentou em PoA. Eu fui ao show dele porque ele era o ator/cantor dos musicais (que nunca vi ao vivo) e me surpreendi ainda mais com a voz e com as músicas que ele escolheu interpretar. Foi a partir daquele show que ele virou o meu ídolo. Sempre achei que ter um ídolo era carregar um sentimento muito forte junto de si. Não sou do tipo de fã que se declara super apaixonada... Admiração por alguém é algo bem mais significativo para mim. É isso o que eu sinto: uma profunda admiração pelo artista dos musicais, pelo cantor de músicas em inglês (e em italiano também) e pelo ator das telas.

Ah, quem é o meu ídolo brasileiro? O nome dele é Daniel Boaventura. Ele é baiano. Ele tem mais de 40 anos (mas não parece). Ele canta, dança, atua, toca saxofone... E ele se apresentou em Porto Alegre, no dia 14 de setembro, no Teatro Bourbon Country... E eu o conheci após o show em um momento em que o público pode se aproximar dele para tirar fotos e para ele autografar o CD duplo e o DVD (Daniel Boaventura ao vivo). 

Conhecer o meu ídolo foi um momento interessante... Na fila, eu pensava no que iria dizer e como iria proceder... Eu não sou do tipo histérica - ainda bem! Bom, acho que eu disse apenas um "Oi!" tímido e o Daniel Boaventura conduziu o resto do momento com muita simpatia. Foram minutinhos mágicos! Ele foi muito querido! Eu amei tê-lo conhecido - quando comprei os ingressos para o show (o da minha mãe e o meu), não passou pela minha cabeça que eu iria falar com ele! A sensação foi ótima!

Eu voltei para casa muito feliz após o show dele. Repertório fabuloso! As músicas eram tocadas com muita qualidade! Foi sensacional! É uma experiência que eu desejo para todas as pessoas! Espero que um dia todo mundo tenha condições de ir a um teatro lindo para o ver o seu artista preferido e viver uma noite mágica, uma noite inesquecível... A night to remember for all time!

Obrigada, Daniel Boaventura! Obrigada por trazer essa cultura maravilhosa através de sua voz divina! Realmente foi um presente. Muito obrigada!