sexta-feira, 15 de junho de 2012

Bússola...

A mão que a segura é firme.
As mulheres não têm culpa,
são guiadas pelo coração.
Ao menos, a maioria.
O problema é a flecha.
A flecha da bússola
que não para de girar
e apontar para todas as
direções.

domingo, 10 de junho de 2012

Fantasmagórica...

Quando o mundo desaba,
eu vejo o fantasma nas
abas que no livro dobrei.
Não o fantasma da realidade,
vejo o fantasma da minha
imaginação...

Aquele que morava comigo,
que me abraçava de noite,
que andava de mãos dadas
comigo pelos corredores
frios e escuros de minha prisão.

Era um bom fantasma,
mas era uma visão.
Um dia desapareceu e
não deixou rastros.
Levou embora a esperança,
a alegria e pedaços do meu
coração petrificado.

Minha alma, aos poucos,
congelou. Faltava partes
demais do órgão que a
alimentava.

Uma velha surgiu no espelho,
contava histórias e sussurrava
mistérios em meus ouvidos.
Os olhos não viam mais o que
deveriam ver.

O veneno entrava lentamente...
O corpo balançava para frente
e para trás num ritmo impossível
de se acompanhar. As dores voltavam,
mas o corpo insistia em viver.

sábado, 9 de junho de 2012

Urubus...

Estamos todos crus,
prontos para sermos
devorados por
canibais.


Ofereça seu coração
e os urubus arrancarão
um pedaço de cada vez
até não sobrar uma
migalha.


Falta-me o pão
para alimentar
meus olhos famintos
por atenção.


Nada
nunca
fez
sentido
entre
razão
e
emoção.

Adaga...

Ela rasgou a pele dele com toda a sua força... Queria abrir o peito dele e arrancar a verdade escondida, nem que para isso tivesse de matá-lo, lentamente, a cada pranto derramado. O sangue fervia dentro de sua pele transparente. Ele estava imobilizado. Ela continuava a estudá-lo; precisava descobrir o ponto que seria o início ou o final de tudo o que havia presenciado nos últimos meses. Não importava o quanto o exterior lhe parecesse fraco e vulgar; lá dentro poderiam estar as respostas.

Minha cura...

Um dia vou escrever...
Vou escrever tanto
que vou me curar...
Mas, por enquanto,
só sei rascunhar e me
perder em pedaços.

O que uma velha me disse...

"Quando eu era jovem e inocente, me faziam de boba devido a minha esperança. Hoje sou uma velha, com fios brancos, rugas e feridas que a vida deixou. Não tenho mais aquela doce lembrança da espera, só restou o vazio preenchido com a raiva de uma existência perdida."