sexta-feira, 18 de maio de 2012

Octópode

Tremendo de frio, ela sai do banheiro:
toalha enrolada no cabelo e vestida com seu roupão rosa.
Pequenas gotas d'água caem no chão quando ela se movimenta...
O vapor do banho a acompanha;
e o ar gelado do outro cômodo a machuca.
Como aquilo foi parar ali?
Havia ela passado a noite inteira escondida?
Na entrada do quarto, a invasora:
negra, octópode, rechonchuda,
tamanho semelhante ao de uma moeda de dez centavos...
- Que não pule em mim!
PLAFT!
Seu chinelinho, vermelho e com um delicado tope da Melissa, a esmaga sem piedade.
Entra, finalmente, em seu quarto...
Desesperada por um tecido quente que a protegesse do frio...
Era uma vez o medo, era uma vez a aranha.

Junie Nunes de Souza