domingo, 20 de maio de 2012

A casa de três...

A casa nunca está vazia. A casa está cheia de vozes. Vozes que não pertencem àquele lugar. Vozes estranhas que tentam se infiltrar, conquistando uma intimidade que deveria ser preservada pela família. Mas três pessoas não se satisfazem, três pessoas podem ocupar para si uma peça da casa individualmente, três pessoas podem viver sob o mesmo teto sem se conhecerem... Porque essas três pessoas apenas cumpriram compromissos, apenas preencheram papéis sociais e, agora, elas simplesmente mantêm suas interpretações. Cada um sabe de si, cada um acha que é o melhor, todos reclamam de todos... Porque essas três pessoas não constroem pontes entre si, apenas levantam tijolos para cima sem olhar para os lados. As estruturas não se firmam, os cofres resplandecem... Mas as almas adoecem. Há acordos, há tratados, há contratos... A burocracia rege, as relações se enfraquecem e a tempestade lá fora, aos poucos, se infiltra nos domínios da família - ou, se assim preferir pensar, se infiltra nos domínios dessa gente que se agrega ignorando as consequências do futuro.