quinta-feira, 22 de março de 2012

Não vale a pena ser professor...


   Como assim o RS pode ser a Grécia do Brasil? Por questões econômicas pagar o piso aos professores é um problema? A educação e os demais serviços vitais de atendimento à população são negligenciados há anos, enquanto os políticos se refestelam com seus privilégios e poder imediato de promover a si mesmos um aumento de salário significativo quando bem entendem. Se a lei vale para eles e isso não é visto como um fator prejudicial à economia, a lei vale e deve ser cumprida para os professores também.
   Será que essa gente que está no poder disputaria tanto um lugar para chupar a teta e mamar à vontade se as condições de trabalho fossem as mesmas enfrentadas pelos professores da educação pública diariamente? Sem auxílios disso e daquilo, sem salários exorbitantes, sem gabinetes bem equipados, sem poder nenhum para transformar a realidade - usando apenas o talento para tentar fazer o melhor?
   Ser professor é uma escolha profissional, não é serviço voluntário, caridade ou assistencialismo. Educar é tarefa séria e desgastante e, hoje em dia, começo a pensar que não vale a pena o esforço. Vamos para a faculdade e aprendemos conteúdos maravilhosos, ampliamos nossa visão de mundo e nos preparamos arduamente para chegar a uma sala de aula e fazermos aquilo que é certo, aquilo que o profissionalismo exige.
   E tudo isso para quê? Para enfrentar as cartilhas partidárias que cada governo implanta quando chega ao poder? Para que a classe de professores seja vista com maus olhos por fazer greve? Para que um aumento ínfimo de salário seja negado? Para que sejamos culpabilizados pela falência do Estado em sei lá eu quantos anos?
   Não vale a pena o esforço, não nessas condições. Não vale a pena acreditar em algo que é desrespeitado a todo o momento, não vale a pena trabalhar desmotivado e acabar repetindo aquelas velhas fórmulas originadas pelo desânimo, pelo descontentamento e pela falta de incentivo. A educação é muito bonita, mas a beleza se desgasta com a pobreza.


Junie Nunes de Souza