quinta-feira, 22 de março de 2012

Eu vi um cachorro...

Eu vi um cachorro.
Segurava com sua boca enorme, 
entre dentes quebrados e cariados,
uma almofada velha e encardida.
Balançava lepidamente o pedaço de esponja para todas as direções,
pulando para lá e para cá num ritmo intermitente...
Do outro lado da rua, 
uma cabeça com um par de olhos grandes e tristonhos se encosta à janela do ônibus...
Inveja em silêncio a indiferença e o humilde contentamento canino -
quase deseja juntar-se ao animal e participar de sua feliz brincadeira.
Suspira...
Olha para o intolerante marcador das horas:
chegaria atrasada outra vez.

Junie Nunes de Souza

* Texto escrito em uma viagem de ônibus.