quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Olhares que não se encontraram...



Não sei qual a real direção que os seus olham tomaram.

No fundo desejei que fosse verdade, que - de fato - você estivesse notando a minha presença naquele mundo particular que somente duas pessoas podem ocupar um espaço ao mesmo tempo.

Mas, provavelmente, eu me enganei.

Eu me enganei como de costume.

Como das outras vezes em que me perdi no caminho, em que fui deixada ali no meio do vazio contemplativo das ilusões perdidas.

E é tão incompreensivelmente boa a falsa sensação de ser supostamente a criatura observada por aquela outra criatura que, desde a primeira vez que foi vista, despertou aquela curiosidade avassaladora que invade, cheia de si, um coração indefeso.

Então, talvez, eu tenha reagido inesperadamente com pressa demais - e digo isso somente a mim -, porque viajei com pressa para chegar logo ao destino incerto que desconhece os pontos finais de uma busca e de um encontro.

Não aproveitei a paisagem.

Não fotografei.

Não roubei uma conchinha da praia para levar comigo de lembrança; não juntei do chão a folha daquela árvore que não tem aqui; não guardei no bolso o guardanapo com a marca daquela cafeteria dos sonhos...

Esqueci-me de armazenar tantas memórias.

Perdi meu passaporte.

Fui uma turista incompleta.

Perdi a confiança e voltei ao ponto de partida.

Não espero mais nada.

Ele continua aqui dentro esperando... E batendo... Batendo com força.

Ignoro.

Finjo que não escuto.

Talvez eu simplesmente jamais ganhe o visto que me garanta acesso àquela terra indomável, cujas experiências transformam todas as criaturas.

Decidi recomeçar e esperar, não ter mais pressa... Viajar sem rumo, sendo guiada apenas pela paisagem que me desperta o interesse...

Talvez eu o aviste de longe e ele acene para mim, reconhecendo a criatura de olhos grandes e profundos que tanto o impressiona...

A criatura de olhos que revelam os segredos escondidos por aquele coração cansado de tanto bater em vão.