quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Coração com defeitos...

Sinto que ele bate aqui dentro. Bate forte. Às vezes, bate aceleradamente. Falo dele. Aquele órgão que bombeia sangue e que não sente nada abstrato - dizem. Duvido. Sempre quando há uma esperança, ele bate. Ele, se pudesse, gritava para todo mundo ouvir tudo aquilo que suas incessantes batidas manifestam desesperadas abafadas sob meu peito. Ele quer saltar aqui de dentro e se materializar naquilo que sente. Se ele não sentisse, suas batidas não se alterariam quando vissem a projeção traiçoeira da imaginação. A mente inventa, idealiza, projeta construções impossíveis... O coração não sabe nada disso. Como alguém que apenas segue as ordens da razão, ele se joga com todas as suas forças rumo à direção indicada. O que ele sente é real, embora a mente possa estar apenas pregando uma de suas peças. O coração ignora tal artimanha. Ele é puro e só quer sentir, sua maior alegria é provocar suspiros e palpitações. Ah! Que vaidoso ele fica quando o peito desta jovem arfa, é o momento em que ele faz com ela sinta que existe algo vivo ali dentro e cheio de emoções a serem concretizadas... Mas, pobre coração... Que pobre coração! Tão iludido, tão perdido em sua própria função de amar... Ele desconhece a realidade e seus limites. Ele desconhece os medos da razão. Diante da fonte que o inspira momentaneamente, ele se transforma em uma banda marcial, cujas melodias emitidas são as de mais sincero afeto direcionadas através de um olhar desesperado por reciprocidade. Esperanças correspondidas, eis a grande ânsia deste coração... Mas, algo está errado... Algo sempre parece estar... Aqueles pequenos buraquinhos não são frutos da razão? Mente cancerígena! Minou com defeitos o meu coração.


Junie Nunes de Souza