quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Reflexão de ônibus...

Através do vidro eu via a chuva caindo lá fora. Deveria ter ouvido minha mãe. Não, não levei o guarda-chuva. Pequena esperança de alguém que esperava por um dia de sol. Fazer o quê? No assento em frente ao meu, havia um senhor lendo um jornal. Estiquei os meus olhos para espiar a notícia e só o que vi foram fotos de mulheres de biquíni. Comecei a refletir sobre como as pessoas são enganadas facilmente pela propaganda pretensiosa. As mulheres que eu vejo na vida real não são aquelas que estão impressas em jornais e revistas ou que aparecem nas telas de aparelhos de televisão ou computadores. As mulheres que encontro todos os dias nas ruas, nos quatro ônibus que pego por dia, nos corredores da minha universidade e em outros caminhos que percorro são mulheres de carne e osso e muitos defeitos. As mulheres que eu vejo são mulheres baixinhas, com cabelos rebeldes, que não sabem sorrir, que sorriem demais, que têm pouco estilo, que são gordinhas, que são magrinhas, que são pequenas, que aparentam ser adolescentes, que parecem ter muito mais do que a idade que têm, que têm gordurinhas espalhadas aqui e ali, que têm espinhas, que têm celulites (e que não têm vergonha de as mostrar através daquelas calças de suplex dois números menor que o ideal), que são altas demais, que são sem jeito, que são tímidas, que têm medo, que têm sonhos, que são românticas, que são pegadoras, que querem compromisso, que querem curtição, que querem conquistar, que querem se apaixonar, que querem dirigir, que querem trabalhar, que querem estudar, que querem ficar em casa, ver novela da Globo e não levantar a bunda do sofá, são mulheres que querem ser rainhas, outras querem ser como os homens, umas amam outras mulheres, outras endeusam homens que só as tratam mal, outras encontram suas almas gêmeas nos lugares menos esperados, outras são meninas que ainda não sabem como serem mulheres, mas todas essas mulheres são reais. Essas mulheres estão disponíveis para serem amadas, admiradas e valorizadas. Não são mulheres de papel ou digitais. Não são objetos para homens sedentários e descontentes utilizarem como papel de parede de seus desktops. Essas mulheres são, muitas vezes, difíceis de compreender, porque elas não são as heroínas dos romances de Hollywood, elas são as heroínas da vida real: que precisam tomar banho, escovar os dentes, depilar as pernas, as axilas, o buço e as sobrancelhas, se maquiar, passar desodorante, subir em saltos desconfortáveis, vestir roupas apertadas, ouvir piadinhas de animais desocupados, que trabalham o dia inteiro e mal têm tempo de serem a mãe que gostariam de ser ou ser a namorada ou esposa ideal... Essas mulheres heroínas da vida real aprendem desde cedo que são mulheres e que, portanto, estão em desvantagem em relação aos homens porque tudo o que elas fizerem será julgado: se quiserem beijar alguém, se quiserem transar com alguém, se quiserem trabalhar 12 horas por dia ou se quiserem apenas cuidar da casa, se quiserem vestir uma roupa curta, se quiserem se vestir como freiras, se quiserem estudar, se quiserem vadiar, se quiserem sonhar, se quiserem fantasiar, se quiserem ser boas ou más... Não importa. Elas sempre serão avaliadas por suas escolhas, atitudes, jeito de se vestir, jeito de falar, jeito de andar e até mesmo pelo seu jeito de olhar. Elas amadurecem muito mais cedo por estarem sempre preocupadas com as regras que lhes são impostas enquanto observam de longe os meninos serem meninos eternamente, sujando-se à vontade, falando palavrão, subindo em árvore e correndo na rua... E elas? Elas não podem fazer isso. Não ficaria bem. Elas têm que se comportar, entrar dentro da fôrma e seguir padrões. Liberdade? Desde quando as mulheres são livres? Igualdade? Quando uma mulher puder andar com as pernas cabeludas com a mesma naturalidade que um homem, talvez possamos falar de igualdade entre os gêneros. Mas isso não importa, essa não é a questão. O meu ponto com todo esse discurso é apenas uma reflexão de ônibus, porque as mulheres reais são preteridas? Por que elas são ignoradas? Por que não são elas as protagonistas? Por que elas insistem em viver a vida de outras mulheres que estão atrás de uma lente? Por que elas são coadjuvantes de suas próprias vidas? Elas é que deveriam criar o ambiente que quisessem dentro de suas casas e enfeitarem a vida das pessoas que amam, elas podem. Elas podem porque elas são reais, são inteligentes e criativas. Elas podem porque amam, porque sabem amar, porque podem tocar, porque podem sentir, porque podem ouvir, porque podem curar... Se você é homem e, por ventura, leu este texto, preste atenção no caminho que faz diariamente e nos lugares que frequenta... Com certeza, você vai encontrar uma mulher real. Pode ser em um rosto tímido que se esconde ou numa expressão de auto-controle e poder que você descobrirá uma mulher que sua após um longo dia de atividades, mas que tem todos os atributos e ferramentas necessárias para construir uma história bem mais rica e completa - e real - do que aquelas que eles vendem todos os dias nos meios de comunicação.

Junie Nunes de Souza

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Olhares que não se encontraram...



Não sei qual a real direção que os seus olham tomaram.

No fundo desejei que fosse verdade, que - de fato - você estivesse notando a minha presença naquele mundo particular que somente duas pessoas podem ocupar um espaço ao mesmo tempo.

Mas, provavelmente, eu me enganei.

Eu me enganei como de costume.

Como das outras vezes em que me perdi no caminho, em que fui deixada ali no meio do vazio contemplativo das ilusões perdidas.

E é tão incompreensivelmente boa a falsa sensação de ser supostamente a criatura observada por aquela outra criatura que, desde a primeira vez que foi vista, despertou aquela curiosidade avassaladora que invade, cheia de si, um coração indefeso.

Então, talvez, eu tenha reagido inesperadamente com pressa demais - e digo isso somente a mim -, porque viajei com pressa para chegar logo ao destino incerto que desconhece os pontos finais de uma busca e de um encontro.

Não aproveitei a paisagem.

Não fotografei.

Não roubei uma conchinha da praia para levar comigo de lembrança; não juntei do chão a folha daquela árvore que não tem aqui; não guardei no bolso o guardanapo com a marca daquela cafeteria dos sonhos...

Esqueci-me de armazenar tantas memórias.

Perdi meu passaporte.

Fui uma turista incompleta.

Perdi a confiança e voltei ao ponto de partida.

Não espero mais nada.

Ele continua aqui dentro esperando... E batendo... Batendo com força.

Ignoro.

Finjo que não escuto.

Talvez eu simplesmente jamais ganhe o visto que me garanta acesso àquela terra indomável, cujas experiências transformam todas as criaturas.

Decidi recomeçar e esperar, não ter mais pressa... Viajar sem rumo, sendo guiada apenas pela paisagem que me desperta o interesse...

Talvez eu o aviste de longe e ele acene para mim, reconhecendo a criatura de olhos grandes e profundos que tanto o impressiona...

A criatura de olhos que revelam os segredos escondidos por aquele coração cansado de tanto bater em vão.

Sobre o tal horário de verão...

E de repente a primavera não é insuportavelmente colorida... Confesso que sou uma jovem adulta (ainda estou me acostumando com este rótulo) bastante influenciada pela ideia de que lugares com neve são fabulosos. É algo que faz parte da minha imaginação. Nunca estive em um lugar gelado com neve para comprovar minha teoria. O fato é que estamos no horário de verão aqui no estado mais meridional do Brasil. A minha primeira reação quando ouvi meu tio falar sobre isso foi "QUE DROGA!". Ai, sei lá, pessoal! Eu fiquei irritada de perder uma hora do meu final de semana. Senti-me furtada. Mas agora, eu estou gostando de chegar em casa e ter mais tempo de luz natural! Dá uma sensação de que você ganha mais dia... Tudo é sensação e imaginação, mas vale a pena igual ser menos chata e aproveitar aquilo que nos é diretamente imposto.

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Dúvidas dentro da aparente certeza...

Literatura é algo fácil e simples para mim. Embora, não tenha desenvolvido uma paixão por suas teorias, consigo lidar muito com o fator "escreva sobre..." que se apresenta frequentemente em meu curso. Linguística é algo novo e que me deixa curiosa, tenho vontade de aprender mais sobre os assuntos complexos de minha língua materna - mas não sei para qual lado ir. Ainda tem a língua inglesa, paixão antiga que se tornou um amor constante e seguro. Dentro do que era uma aparente certeza, existem tantas dúvidas. Talvez eu deva esperar um pouco mais para encontrar o que gosto e me encontrar. Queria saber o que fazer, queria fazer algo que me deixasse satisfeita comigo mesma.

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Coração com defeitos...

Sinto que ele bate aqui dentro. Bate forte. Às vezes, bate aceleradamente. Falo dele. Aquele órgão que bombeia sangue e que não sente nada abstrato - dizem. Duvido. Sempre quando há uma esperança, ele bate. Ele, se pudesse, gritava para todo mundo ouvir tudo aquilo que suas incessantes batidas manifestam desesperadas abafadas sob meu peito. Ele quer saltar aqui de dentro e se materializar naquilo que sente. Se ele não sentisse, suas batidas não se alterariam quando vissem a projeção traiçoeira da imaginação. A mente inventa, idealiza, projeta construções impossíveis... O coração não sabe nada disso. Como alguém que apenas segue as ordens da razão, ele se joga com todas as suas forças rumo à direção indicada. O que ele sente é real, embora a mente possa estar apenas pregando uma de suas peças. O coração ignora tal artimanha. Ele é puro e só quer sentir, sua maior alegria é provocar suspiros e palpitações. Ah! Que vaidoso ele fica quando o peito desta jovem arfa, é o momento em que ele faz com ela sinta que existe algo vivo ali dentro e cheio de emoções a serem concretizadas... Mas, pobre coração... Que pobre coração! Tão iludido, tão perdido em sua própria função de amar... Ele desconhece a realidade e seus limites. Ele desconhece os medos da razão. Diante da fonte que o inspira momentaneamente, ele se transforma em uma banda marcial, cujas melodias emitidas são as de mais sincero afeto direcionadas através de um olhar desesperado por reciprocidade. Esperanças correspondidas, eis a grande ânsia deste coração... Mas, algo está errado... Algo sempre parece estar... Aqueles pequenos buraquinhos não são frutos da razão? Mente cancerígena! Minou com defeitos o meu coração.


Junie Nunes de Souza

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Unfinished thought...

Delicacy belongs to almost no one...

Questions about the girl on the wall...

Have you noticed that girl on the wall?
Do you know what is she made of?
Is it only a shadow?
Or can it be a dream?
All I see is girl
She is wearing a hat
She has beautiful black shoes that were made to dance
But she is all alone in her fairy tale
Have you noticed her dress?
What is she waiting for?
What is there on that basket she has?
Is she selling some flowers?
Or is she stealing some dreams?