domingo, 31 de julho de 2011

A revolta do jardim...

Conversando com as minhas amigas no último dia de nosso intensivo de italiano, aproveitei mais um daqueles momentos de liberdade que venho experimentando ultimamente. Foi tão bom parlare italiano e, durante os intervalos, saborear um lanche maravilhoso naquela pequena padaria do Bom Fim. No nosso último dia de curso não deixamos de repetir o ritual, porém, desta vez, prolongado e recheado de uma conversa feminina cheia de histórias e risadas. Falar só por falar, rir muito e planejar outras oportunidades da mais barata e completa terapia que se pode desejar: um momento entre amigas livres.
Pensando sobre como este momento de liberdade é arrebatador, comecei a refletir sobre uma frase que foi dita por uma gênia neste encontro que mencionei: "Eles adoram brincar, mas quando a novidade acaba, eles partem em busca de um novo brinquedo." Em casa comecei a rir sozinha pensando em como isso é verdade, porque ao enjoarem do objeto eles podem simplesmente dizer que não conseguiram gostar dele. Nossa, e como isso acontece. Eles começam com elogios e dizem o quanto você é especial, escrevem poemas para você e diversos outros tipos de declarações, cartões de aniversário, e-mails maravilhosos, enviam mensagens enigmáticas, seguem você até o inferno se for preciso... Então, quando finalmente você resolve dar uma chance, quando você enfim começa a acreditar nas gentis palavras... Eles somem da sua vida e fazem com que você se sinta culpada ainda por cima. E não importa qual o tipo de relacionamento. Eles sempre decepcionam. Pai, irmão, primo, amigo ou namorado. Eles, sob o disfarce de imaturidade, propositalmente deixam você na mão quando você está acostumada com eles. Simplesmente é impossível confiar neles. Depois de 20 anos de fracasso com relacionamentos com o gênero oposto, estou trabalhando em um filtro da verdade. É simples. Basta desconfiar de qualquer atitude "gratuita" vinda de algum homem. NÃO CAIA NESSA! Alguma coisa ele está querendo. Um dos maiores casos de decepção masculina é o do meu próprio genitor. Ultimamente, se ele aparece por aqui não significa que ele está com saudades de sua filha ou de sua própria mãe. E eles, apesar das diferenças, são todos iguais. Querem receber muito em troca de pouco. Tendo sua vontade contrariada, eles culpam quem? Mulheres, vocês já sabem a resposta.
Pela primeira vez em minha vida, estou livre de qualquer sentimento pelo sexo oposto. Não nutro mais esperanças por nenhum deles mais. Sim, continuo heterossexual, mas estou me sentindo muito bem ao tomar a atitude de não acreditar mais nos homens, pois assim não sofro mais com suas figuras falsas. Não se apaixonem por mim, porque eu não mais me apaixonarei por vocês. Esta é uma decisão extremamente momentânea, sei disso, mas estou feliz demais cuidando do meu jardim. São tantos afazeres, planos e mudanças que esta minha decisão se tornou uma janela por onde entra um ar fresco e puro, que renova o ambiente, deixando um leve perfume de flor.
As mulheres da minha vida estão sempre ao meu lado e fazem de tudo para que eu me sinta bem. Elas são sinceras. Elas me escutam. Elas têm o que dizer. Elas têm conteúdo, são criativas e são melhores ainda quando não estão sob a sombra de uma figura masculina que faz com que todas as suas cores brilhantes se esvaeçam. Em minhas percepções de mundo, vejo o quanto as mulheres que estão livres de influências masculinas obtêm sucesso naquilo que eu julgo como ideal: o sucesso intelectual e profissional. Sou contra o casamento. Quero experimentar o mundo e fazer parte dele - não quero me prender a um contrato social. Abomino a reprodução da espécie. Minha linha de vida é outra.
Romance só dá certo nos livros, nos palcos e no cinema. A arte é sempre bela de ser apreciada. Mas o que acontece entre seres humanos que dividem a mesma casa está longe de ser considerado arte. A vida a dois parece mais um campo de batalha em que interesses diversos se conflituam o tempo inteiro. Ou então, um acaba cedendo suas vontades devido à pressão do/a outro/a e se torna um cônjuge amargurado/a - ou que tem vontade de fugir a toda hora e ser livre. Mas digo que essa vontade é falsa, pois quem desde cedo não consegue ficar só jamais experimentou o que é ser livre de verdade.
Admiro quem tem a coragem de investir em relacionamentos hoje em dia. As coisas estão tão efêmeras. O casamento parece a maior loucura do século. Não dá para confiar mais. Acabou o conto de fadas. A igreja se tornou o palco dos horrores. As pessoas dizem que amam a todo momento sem de fato amar. O que mais se vê é textinho romântico por aí com declarações infundadas. AME-SE e pare de iludir o próximo. 
O nascimento de asas é um processo lento e dificultoso. Só com quase 20 anos é que as minhas começaram a nascer. Decidi voar sozinha nesta vida. E foi só quando meu coração ficou livre de qualquer sentimento é que comecei a ver com outros olhos o mundo de oportunidades oferecidas para aqueles que permitem que suas asas cresçam. Não é tão simples se livrar dos velhos fantasmas, mas depois que você se acostuma a estar só, você não quer mais saber de dividir o seu espaço com ninguém. Além do mais, acredito que quem tem bons livros por perto e amigos sinceros jamais estará alone in the dark.
Nem sei quantas linhas deu este texto. Sei que são ideias insanas, mas eu já me acostumei com aquele rótulo de aberração que a sociedade dita normal me presenteou. E este texto é uma revolta específica, não genérica. Mas preferi escrever neste tom para homenagear uma amiga minha que, com certeza, já se decepcionou muito mais do que eu com a espécie masculina. Também dedico este texto para todas as meninas e mulheres que tiveram esperança e tudo o que acumularam foi descrédito. Um último conselho: sempre desconfie e não confie na sua intuição porque, geralmente, ela está tentando enganá-la em prol da reprodução da espécie. Raciocine. A razão é o que faz você ouvir as batidas do seu próprio coração e perceber que ele só quer ser livre parar amar e se entregar ao amor à vida.