quinta-feira, 21 de julho de 2011

La bambina...

É preocupante. Sei que é. Não poder parar de pensar por um simples segundo. A incapacidade de ficar quieta e apreciar um momento de ócio já não é mais plausível. A mente trabalha. Insana. Condena todo o tempo perdido. Dentro de articulações neuronais, há alguém que grita ali, lá, aqui, do outro lado, em frente, atrás, acima, em baixo... A menina não para. Se escuta uma voz, a imagem do dono da voz se materializa em sua mente e logo ela começa a criar um perfil condizente àquela voz. Escuta passos e já imagina de quem eles o são. Dois peixes se movimentam em um aquário sujo e ela logo cria o contexto perfeito para uma história de horror. Se pássaros cantam é a primavera a dona da vez. A lua... Lua! Saia já do céu antes que ela a transforme em poema. Narcisa, Narcisa, Narcisa... O que mais ocupa a sua mente? Livros! Livros! Livros! E o espelho que reflete a exatidão de sua aparência física... Quando balança seu cabelo, a alma voa solta e dá giros no ar. Silêncio. As palavras saltam. Imprecisão. Desespero. A menina que rouba livros e que por eles é apaixonada descobre-se. Aceita o destino que um dia conheceu, mas mal sabia ela que aquilo seria tudo pelo qual valeria a pena lutar. Ama. Chora. Decepciona-se. Cresce. Aprende. A menina é assim. Sabe que a vida comum não lhe pertence, pois tem certeza absoluta que jamais se contentaria com a paz doméstica. Isso seria seu pior pesadelo. A menina gosta de movimento. Gosta de correr. Mudar. Quer conhecer o mundo, pois a ele ela pertence. Nasceu com o mundo dentro de si, com a vontade de servir a ela mesma. Tem sede por saber. Tem amor pelo amor, mas prefere a liberdade e ser solidária com as causas perdidas do que se entregar às correntes que prendem os pequenos mortais que contribuem para o aumento da mão-de-obra barata do planeta. Uma risada ela ouve e já sabe que é de alguém que busca agradar na vã tentativa de ser adorada. Sente pena. Continua a leitura. As teclas não descansam. O braço direito até dói, mas ela está ali. Quer mais. É mais. O tempo já não a incomoda. Tudo o que ela quer é um palco em que possa brilhar. Canções um dia serão ouvidas, mas tenha calma... O mundo é pequeno e você, querida, é até grande demais para ele.