domingo, 26 de junho de 2011

Uma carta de amor...

Li uma carta de amor hoje tão bonita... Acho lindo esse sentimento que é capaz de existir entre duas pessoas de famílias diferentes e, muitas vezes, de mundos diferentes. É um mistério o que faz nascer esse sentimento que une a vida de duas pessoas que, mesmo depois de tantos anos, ainda continua existindo (se for algo verdadeiro - presume-se).

A carta falava sobre como ela se sentia insegura em relação a ele. Ela não sabia direito se ele gostava ou não dela, porque o via em meio a tantas garotas e sendo atencioso com todas elas... Então, apesar de ele se mostrar mais carinhoso com ela, a dúvida de que aquilo tudo fosse apenas fruto de sua imaginação a torturava dia e noite. Ela foi ficando retraída, quando o via, não conseguia falar tudo o que sentia por ele e nem sabia se devia. Escondeu-se atrás de uma máscara para que ele não percebesse que ela estava apaixonada. Quase o perdeu. Mas ele a havia escolhido muito antes de todas aquelas outras garotas incríveis aparecerem... Ela não era muito especial, era até um pouco sem graça, pois vivia em mundo cheio de regras e obrigações que lhe foram impostas. Não conseguia se soltar. Não conseguia ser quem ela queria ser. Ela estava a ponto de enlouquecer. As notas na escola baixaram, andava deprimida todas as noites... Sentia-se só. Não tinha ninguém para conversar. Ela queria gritar, ela queria voar, ela queria sentir-se amada... Sabia que era amada, mas não sentia...  Por quê? Por que ele a maltratava tanto com aquelas palavras gentis? Ela sentia-se culpada. Culpada por desejar fervorosamente que ele jamais parasse de dirigir a ela aquelas pequenas pétalas de felicidade. Tudo efêmero. Tudo ilusão. Tudo era dor. Não, ele não a amava, era só invenção de sua cabeça. No entanto, ele nunca havia dito que não a amava. Talvez ele a amasse. Talvez... E aquela esperança dos tolos preenchia momentaneamente o seu coração... Ah, como ela era boba! Tantas coisas que para ela era tudo, para ele não significava nada. E ela sofria, e ela chorava... Oh, como ela sofria! E ele lá bem belo em seu cavalo branco, bancando o conquistador... Uma raiva por ele a ter tirado do seu habitual sossego crescia dentro dela... Misturava amor e ódio e, de repente, era só amor outra vez... Um desassossego infinito... E a alma sempre inquieta... E a vida sempre a florir. Nada mais fazia sentido, mas ela não queria se entregar e revelar seus sentimentos. Ela os escondia e ela se feria. Sentada em um banco gelado, arrancava delicadamente as pétalas de uma flor do campo... Um abraço a envolveu. Surpresa, virou-se para ver quem era e encontrou os olhos que ela tanto adorava. O rubor em seu rosto surgiu. Aqueles olhos tão lindos estavam indecifráveis... Ele tocou em seu rosto, suavemente o inclinou para cima e aproximou-se ainda mais... O coração dela parecia que iria saltar de seu peito... Não havia palavra a ser pronunciada. Alguns segundos se passaram, os olhares não se desviavam... Ele acariciava as mechas de cabelo dela como se tocasse em cordas de um instrumento delicado. Ela quase podia ouvir o som que esse gesto produzia. Ele chegou mais perto, seus lábios se encontraram e, pela primeira vez, ela soube como era ser amada. Um beijo - seu primeiro - e ela jamais conseguiu esquecê-lo. Eles não ficaram juntos para sempre, mas aquele momento durou eternamente.

E tudo isso coube numa carta. Ela contou para sua amiga que ele teve de ir para a guerra e morreu lá, mas jamais morreu nas lembranças dela. Amor?