sábado, 19 de março de 2011

Desenraizar o problema...

O sonho de passar no Vestibular acaba se transformando em pesadelo devido aos trotes nas universidades. Em muitos casos, o trote é um ritual de passagem, considerado uma forma de integração entre calouros e veteranos, mas em outros, é distorcido a uma brincadeira de mau gosto imbuída de violência que menospreza o ser humano. É difícil apreciar uma cultura que compele o indivíduo a situações constrangedoras e depreciativas. Porém, é possível transformá-la em algo melhor através dos chamados trotes solidários.
A origem do trote universitário é muito remota, surgiu na Europa medieval com a função de separar - literalmente - os novos alunos dos antigos. Seu caráter discriminatório é evidente, e isso foi passado ao longo dos anos. Atualmente, muitos calouros concordam em participar das “brincadeiras” aplicadas pelos veteranos, porém, muitas vezes, alguém sai machucado. Comemorar a aprovação no Vestibular não é errado, mas o problema está em como é feita essa comemoração. É inerente ao jovem festejar com outros para integrar-se a um grupo, mesmo que se sujando com tintas, mas sempre há pessoas mal-intencionadas nesse meio, que abusam da sua posição causando humilhação aos calouros.
A cultura do trote agrega muitos valores depreciativos que podem se manifestar através de brincadeiras pacíficas sem utilidade ou violentamente. Para mudar isso, é preciso que o jovem se mobilize em ações fraternas, pois não há melhor forma de integração do que aquela que beneficia a quem precisa. Celebrar a conquista de uma vaga universitária é ter maturidade para iniciar uma nova fase, construindo bases sólidas para o desenvolvimento intelectual. Um dos caminhos é o trote solidário que, além de aproximar veteranos e calouros, tem a missão de levar algum tipo de ajuda a pessoas que necessitam dela. Esse tipo de experiência é muito rica, tanto para o crescimento pessoal quanto para o futuro profissional, pois quem pratica ações sociais é inserido na realidade, aprendendo a estimar cada vida.
É necessário que o jovem seja valorizado pela sua conquista, mas, para isso, é imprescindível que ele aprenda a valorizar-se como indivíduo. A solução para acabar com a violência dos trotes é desenraizar seu caráter depreciativo. A cultura do trote solidário deve ser disseminada nas universidades e meios de comunicação para que seja mais bem cultivada, tornando sua prática uma tradição. Com ações solidárias, é possível reduzir a violência, aprender e crescer.


Junie Nunes de Souza


* Escrevi este texto em 2009 para a primeira fase do concurso Redação ZH.