sábado, 19 de fevereiro de 2011

A tempestade...

À medida que percorríamos a estrada, éramos engolidos por nuvens assustadoramente negras. O forte vento balançava o carro enquanto o céu piscava sobre nossas cabeças devido aos relâmpagos que anunciavam a chegada de uma grande tempestade...
A paisagem promovia um espetáculo fantasmagórico a nossa volta. Ao descermos a BR 116 paulistana, rumo ao sul do país, o encontro entre o céu e as montanhas servia de palco para o show de descargas elétricas e gotas gigantescas de chuva que caiam sobre a vegetação. Com a pista molhada, o carro deslizava com maior velocidade, aumentando a adrenalina dos passageiros a cada curva perigosa...
Quando a chuva cessou, a criança de colo despertou de seu sono agitada. A tensão da estrada havia causado na pequena Nathalie um desconforto que a fez chorar, manifestando sua forma de reclamar sobre a escuridão que envolvia os ocupantes do apertado Palio branco motor 1.0, que bravamente havia nos levado até o sudeste do Brasil e tentou, em vão, subir uma lomba superior a sua capacidade...
Paramos. O lugar era aconchegante, lembrava uma casa de fazenda - produtos coloniais eram exibidos para avivar lembranças bucólicas. No Paraná, as pessoas que nos atenderam eram surpreendentemente simpáticas e os produtos oferecidos não faziam nenhum turista faminto ser extorquido. Encontrei meu amendoim torrado e salgado sem pele por apenas um real. De volta ao carro, Nathalie atacou minha mãe com mordidas vampirescas desdentadas, fazendo a alegria da galera do Palio...
A viagem agora seguia tranquila e SC, onde faríamos nossa próxima parada, estava a cada quilômetro mais perto de nossas almas gaúchas, que foram recarregadas de momentos com pessoas queridas em lugares lindos e especiais para os nossos corações.

Junie Nunes de Souza

* Texto baseado em um episódio de minhas férias neste verão.