domingo, 21 de novembro de 2010

Uma pétala caída...

Não restam mais pétalas naquela flor...
Arrancou-as todas... Uma por uma... Vagarosamente...
Sobrou um talo ferido e um miolo pelado.
É estranho olhar aquele vaso.
A água vai até a borda.
Um mosquito vai e vem, seu zumbido preenche o vazio da sala mal iluminada e logo desaparece no estômago de uma lagartixa que passeia pela janela...
Um som abafado e cacos caem no chão.
A mão ensanguentada procura o nada.
As lágrimas escorrem pelo seu rosto juvenil...
Sua alma está cansada, há mais de mil anos procura a fórmula exata...
Nunca encontra a flor perfeita.
Vaga entre bosques de anjos e terras lodosas atrás daquelas pétalas capazes de curar a sua dor...
Parece não desistir, mas a cada falha, seu coração adquiri mais uma cicatriz.
Um demônio a engana aqui e ali. Um anjo aparece, mas a deixa ainda mais infeliz...
Anjos não são reais, demônios a cercam em qualquer lugar.
A esperança renasce, traiçoeira, jocosa, inimiga... 
Ela alimenta-se do seu coração partido.
Deseja aprender a rir novamente, mas já está contaminada pela poluição deste mundo...
Não sabe se retornará triunfante ao paraíso deixado, mas espera reencontrá-lo.
Por que recebera uma missão tão impossível? O divertimento é fútil, sempre soube... Mas não esperava viver sem ao menos sorrir.
Se pelo menos pudesse encontrá-lo, não estaria hoje roubando a beleza e a delicadeza das flores.
Mas parece que sem uma fórmula, jamais conseguirá obter o resultado do cálculo mais complexo e imprevisível do mundo...
O único resultado capaz de curá-la...
A casa é fria,  escura como uma noite sem estrelas, sombria por estar há muito tempo abandonada...
Jogada no chão e com cortes profundos ela permanece, a luz que emana de sua alma é tênue... Está fraca demais para continuar existindo.


Junie Nunes de Souza