domingo, 28 de novembro de 2010

Life isn't poetry...

Is it?

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Encontrei meu livro de cabeceira...

Um manual de sobrevivência

Para nós, ocidentais, que vivemos em um período de livre expressão cultural e fazemos parte de uma mistura de povos, pode ser difícil imaginar como seria a vida se, de repente, aquilo que nossas origens revelam sobre nós se tornasse o principal motivo para que nos caçassem e nos aprisionassem em campos de concentração para que a degradação humana e a morte fossem nossas únicas saídas. Ao ler O Diário de Anne Frank, editado por Otto H. Frank (pai de Anne) e Mirjam Pressler (escritora e tradutora), já conhecia o final da história da adolescente judia, mas, a cada página, intimamente, gostaria que todos os seus sonhos se tornassem reais.
Durante o período de 12 de junho de 1942 e 1º de agosto de 1944, Anne Frank escreveu em seu diário o relato de sua vida antes e durante os dias em que esteve escondida com seus pais, sua irmã mais velha e mais quatro pessoas no “Anexo Secreto”. A cada dia, relatos sobre a situação dos judeus do anexo e de como recebiam ajuda dos amigos cristãos são intercalados com os relatos sobre as notícias da guerra, as discussões políticas, as esperanças, as brigas e conflitos internos dos habitantes do anexo, as inseguranças e o medo de serem descobertos a qualquer momento. No meio deste turbilhão de manifestações, uma menina cresce e amadurece seus sentimentos em relação ao mundo e a si, trazendo reflexões que cabem em qualquer época e em qualquer lugar.
“Espero poder contar tudo a você, como nunca pude contar a ninguém, e espero que você seja uma grande fonte de conforto e ajuda.” Existe um motivo para que essas sejam as primeiras palavras escritas no diário de Anne. Apesar de ter uma família amorosa, amigos e de ter muitos admiradores, ela se sentia sozinha. “Quando estou com amigas, só penso em me divertir. Não consigo me obrigar a falar nada que não sejam bobagens do cotidiano.”, escreveu Anne.
Anne descreveu seus sentimentos com maestria apesar de ser tão jovem. Confiou a seu diário o seu mundo, seus sonhos e esperanças. “O papel tem mais paciência do que as pessoas.” Motivada por este ditado, deu vida às páginas que passou a chamar de Kitty. Ávida leitora, as descrições de seus momentos de estudo e leituras enriquecem seus relatos, pois mesmo diante da incerteza que a guerra trazia aos judeus, ela planejava voltar à escola, praticar seus ideais amadurecidos e se tornar jornalista e escritora.
Uma das reflexões que mais me fizeram refletir e concluir tristemente que, talvez, seja verdade é quando Anne escreve que “há uma necessidade destrutiva nas pessoas, a necessidade de demonstrar fúria, de assassinar e matar”. Apesar de se sentir mal com a constatação, Anne não se desesperava. Acreditava que a vida no esconderijo era uma aventura interessante, cheia de perigo e romance, e que cada privação era algo divertido a acrescentar no diário.
O Diário de Anne Frank, durante minha primeira leitura, sem dúvida, foi um manual de sobrevivência para a vida, pois mesmo que eu não esteja vivendo em um esconderijo secreto, muitos foram os momentos em que eu me senti prisioneira dos meus próprios medos, incapaz de encontrar alguém para dividir minhas angústias, confiando apenas em uma página em branco na tela do meu computador. O livro nos faz amadurecer junto com a sua autora à medida que nos identificamos com os sentimentos e particularidades da vida que são comuns a todos nós. Encontrei meu livro de cabeceira.

Junie Nunes de Souza

Porto Alegre, 23 de novembro de 2010.

domingo, 21 de novembro de 2010

Dry tomatoes...

Dry tomatoes
Roast potatoes
Cut your fingers
Burn your hands
Mashed potatoes
Tomato sauce
Break one arm
Spoil the blender
Dry tomatoes for the guests!
'Cause they think roast potatoes are the best!

Does it make any sense?

Uma pétala caída...

Não restam mais pétalas naquela flor...
Arrancou-as todas... Uma por uma... Vagarosamente...
Sobrou um talo ferido e um miolo pelado.
É estranho olhar aquele vaso.
A água vai até a borda.
Um mosquito vai e vem, seu zumbido preenche o vazio da sala mal iluminada e logo desaparece no estômago de uma lagartixa que passeia pela janela...
Um som abafado e cacos caem no chão.
A mão ensanguentada procura o nada.
As lágrimas escorrem pelo seu rosto juvenil...
Sua alma está cansada, há mais de mil anos procura a fórmula exata...
Nunca encontra a flor perfeita.
Vaga entre bosques de anjos e terras lodosas atrás daquelas pétalas capazes de curar a sua dor...
Parece não desistir, mas a cada falha, seu coração adquiri mais uma cicatriz.
Um demônio a engana aqui e ali. Um anjo aparece, mas a deixa ainda mais infeliz...
Anjos não são reais, demônios a cercam em qualquer lugar.
A esperança renasce, traiçoeira, jocosa, inimiga... 
Ela alimenta-se do seu coração partido.
Deseja aprender a rir novamente, mas já está contaminada pela poluição deste mundo...
Não sabe se retornará triunfante ao paraíso deixado, mas espera reencontrá-lo.
Por que recebera uma missão tão impossível? O divertimento é fútil, sempre soube... Mas não esperava viver sem ao menos sorrir.
Se pelo menos pudesse encontrá-lo, não estaria hoje roubando a beleza e a delicadeza das flores.
Mas parece que sem uma fórmula, jamais conseguirá obter o resultado do cálculo mais complexo e imprevisível do mundo...
O único resultado capaz de curá-la...
A casa é fria,  escura como uma noite sem estrelas, sombria por estar há muito tempo abandonada...
Jogada no chão e com cortes profundos ela permanece, a luz que emana de sua alma é tênue... Está fraca demais para continuar existindo.


Junie Nunes de Souza

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Zombie mood, Casa do Estudante, RU do centro and more...

Acordo cedo. Imagine um zumbi recém saído da cova, ofuscado pela luz do dia e sentindo sua pele queimar devido à luz solar... Pois é! É o quadro do horror. E sempre quando acordo de madrugada (7 horas da manhã que absurdo!), a coisa se configura desse jeito. Pelo menos sei o horário do bus! Bah, que tri! Hoje levo o notebook. Sala lilás e organizar materiais já! Hmm... Deixei a Internet ligada! Ideia brilhante? Sim! Twitter! Como uma maníaca viciada que é controlada pela máquina, tenho disposição para digitar meia dúzia de tweets em pleno início das atividades do dia. Depois de um café preto delicioso feito pela minha mãe, estou acordada e animada - por incrível que pareça! Agenda lotada: projeto de pesquisa com a Carol (que mora na Casa do Estudante da UFRGS - já falo sobre essa minha visita...), depois apresentação de trabalho com o grupo de LIBRAS. Estou gostando do temido final do semestre. Na escola sim é que eu enfrentava verdadeiros infernos... A vida acadêmica é boa demais!

CONGESTIONAMENTO na Avenida Protásio Alves... O quê? Mas como? Pois é! Que coisa absurda isso, hein? Chego na FACED. A Carol e eu iniciamos uma busca pelos 9 andares daquele prédio atrás de um lugar sossegado e com tomada para o meu notebook de preferência. Não foi dessa vez... Então, partirmos rumo à Casa do Estudante. Elevador para subir, que chique... O corredor. Sério, foi uma experiência única. O quarto que a Carol divide com a colega dela é quase no final do corredor. Fomos caminhando lentamente através do espaço relativamente estreito do tal corredor... Ao bisbilhotar as portas, encontra-se de tudo... Lixo nas portas, garrafas de bebidas alcoólicas, um cheirinho particular de substâncias químicas ilícitas e portas destrancadas revelavam pequenos universos de jovens adultos recém libertos da supervisão familiar... Para mim, foi uma experiência exótica. Com todo o conforto e auxílio que tenho em casa (sem falar do amplo espaço da minha moradia), não sei se teria coragem de deixar tudo para trás e me meter em uma aventura dessas.

O quarto da Carol é bem legal. Ela o divide com uma estudante de AV, então, obras de arte e pinturas se misturam ao pequeno espaço compartilhado por alguns eletrodomésticos, duas camas, um roupeiro-escrivaninha-parede, livros e marcas próprias de um ambiente habitado por meninas.

Iniciamos nosso querido projeto de pesquisa e blá, blá, blá... Ah, o quarto tem Internet e de graça (isso é bom)! Hora do almoço. 11h30min. RU do centro. Aquela coisa de sempre: fila, multidão, R$ 1,60 com suco de limão metálico aguado, barulho, mas com algumas diferenças. O feijão do RU do centro é divino! Sério! Feijão bom mesmo. Hoje teve salada de folhas selvagens, não sei o que era aquilo, mas com um salzinho vai! Também, teve um negócio que uma funcionária colocou no meu prato que mais tarde descobri que era a sobremesa... No início achei que era lasanha... SONHA, IDIOTA! Depois, a Carol me falou que era torta de bolacha. Para vocês verem o aspecto da coisa... Mas estava tri boa - tinha até UM pedacinho de pêssego (que eu cuspi de volta porque não tinha visto o que era e achei duro demais para ser uma bolacha ou o creme embolotado).

De volta ao quarto. Fui ao banheiro coletivo. Deve ser estranho tomar banho escutando outras pessoas fazendo suas necessidades ao lado ou usando a pia, etc. Finalizamos o que tínhamos de fazer no projeto de pesquisa e me fui para a FACED. Trabalho apresentado com uma desenvoltura que nem eu mesma esperava. Também! Depois de tantas horas lendo no ônibus imóvel na Protásio... Ai, ai. Só sei que hoje o dia valeu a pena. É simplesmente incrível ir descobrindo coisas novas desse vasto universo acadêmico. Na volta pra casa, passei no barzinho da FACED e comprei uma salada de frutas. Fui para a parada. Aproveitei para ler um texto sobre CLL, pois amanhã darei uma aula de Inglês! :) 

That's all, folks!

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Eu sou de lá...

Ultimamente, não tenho paciência para suportar os incontáveis congestionamentos que já enfrentei. Por isso, prefiro os velhos caminhos percorridos pela linha transversal metropolitana 2. Antes a rotina era escolar e provinciana; agora ela é acadêmica e urbana. O conteúdo mudou, o celular tem Internet móvel. Porém, o coração bate na antiga intensidade, com a mesma vontade de alçar voos altos e seguros com que sonha toda interiorana. Não mudei. Sinto falta daquela coisa que só a cidade pequena tem, aquela coisa que não sei descrever, mas que me causa uma saudade imensa! Só estando longe é que fui perceber o quanto sou de lá, o quanto penso e sinto como a gente de lá... Eu não nasci lá, tampouco - para minha tristeza - moro lá, mas sei que sou de lá, pois lá é que me tornei quem sou. Portanto, se me perguntarem de onde eu venho, direi com muito orgulho que eu venho de Gravataí.