terça-feira, 21 de setembro de 2010

Relato de uma emoção forte...

A tarefa de Leitura e Produção Textual da semana era tentar escrever um relato sobre uma emoção forte. Não sei se consegui, saberei hoje de tarde. Aí vai o meu relato!


O TELEFONEMA 


Andava de um lado da casa até o outro impacientemente. O relógio marcava vinte e uma horas do décimo-sétimo dia do mês de maio. Resolvi sentar no sofá da cozinha para assistir ao Fantástico. Olhava as imagens que se passavam na tela da televisão, mas não conseguia distinguir os sons que eram emitidos. Meu coração já batia aceleradamente e minhas mãos começavam a suar frio, eu jamais receberia aquela ligação se passasse da meia-noite.
Dois mil e nove: meu último ano na escola. Se o telefone tocasse, tudo terminaria diferente do que eu havia planejado durante os últimos cinco anos. Eu não precisaria me preocupar mais com a ideia de enfrentar o Vestibular sem estar devidamente preparada, pois asseguraria o transporte para o meu caminho até a universidade.
O telefone ainda não havia tocado e eu estava cada vez mais inquieta. Minha mãe não estava em casa para me acalmar. A noite tornava audível minha respiração e meus batimentos cardíacos, misturando-os a outro ruído que logo identifiquei... Há quanto tempo eu não comia nada? Resolvi esquentar a água em uma panela e adicionar farinha de milho. Não sei por quanto tempo eu fiquei movimentando a mistura.
Tentei comer um pouco, mas a comida não descia bem... Até que, em uma das minhas colheradas, o telefone tocou. Saltei da cadeira e corri até a sala. Tinha que ser a minha ligação.
- Alô?
- Junie?
- Sim, sou eu.
- Aqui é a professora Luisa do Unificado...
Na hora, o que consegui dizer foi um “Ai, não acredito!” e, em rápidos minutos, fiquei sabendo que o meu texto havia sido um dos 5 vencedores, que eu havia ganhado a bolsa de estudos no curso pré-vestibular semi-extensivo e que na quarta-feira eu iria conhecer a redação do jornal Zero Hora.
Quando a conversa terminou, meu corpo inteiro tremia... Comecei a gritar. Gritei muito alto para que a cidade inteira pudesse ouvir... Então, sentei-me no chão e comecei a chorar... Mal podia acreditar... Liguei para o meu pai, que acompanhou minhas lágrimas, e juntos ficamos em um silêncio molhado.