sábado, 4 de setembro de 2010

Ela fugiu de moto...



Pegou, enfim, sua mochila customizada e disse adeus ao mundo. Bem, ao menos, tentou dizer adeus ao mundo em  que ela vivia. Sem conhecer o caminho, subiu na moto do seu tio e - sem capacete - fugiu. Não queria mais saber daquela vida incerta... Seu jovem coração queria amor. Apesar de ela não fazer a mínima ideia sobre o que vem a ser o amor. Ah, liberdade... Doce liberdade! Mas logo o combustível iria acabar e, de alguma maneira, ela teria de resolver entre continuar sua aventura selvagem ou voltar à rotina. Porém, ela vê algo estranho... Quando, antes de tudo aquilo que em breve aconteceria acontecer, o destino mostra uma outra face...


Ela freia... O barulho estridente é ouvido ao longe... A pista estava escorregadia, ela cai. Em segundos, milhares de pensamentos surgem em sua mente: a praia onde adorava catar conchinhas, a dor que sentiu ao perceber que só ela acreditava no romantismo dos livros, a vontade que tinha de viver... Ao abrir os olhos, desejou, mais uma vez, não estar no lugar em que estava... A queda não havia sido tão problemática, apenas alguns arranhões marcavam seu rosto e seus braços e... De repente... Ao olhar em volta, percebeu que não estava só.

- Como você se sente?
- Bem, eu acho.
- O que fazia sem capacete?
- Não sei no que estava pensando.
- Vem, vou acompanhá-la até sua casa.

Um garoto. Tinha olhos e cabelos escuros, usava um par de óculos meio antiquado para a sua idade e tinha um sorriso que inspirava confiança. Se fosse em qualquer outro momento, ela teria recusado a oferta... Mas sabia que aquele seria um novo começo, o começo pelo qual ela havia desejado. Então, ouviu apenas seu coração e o deixou vulnerável para os novos sentimentos que logo fariam parte de sua existência.

É engraçado como tudo acontecera subitamente. Novamente, estava no seu quarto... Abriu seu diário e respirou fundo. Tinha uma nova história para contar.