sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Blog do Guilherme Fiuza

Guilherme Fiuza é jornalista e autor de vários livros, entre eles “Meu Nome não é Johnny”, adaptado para o cinema. Neste blog, trata de grandes temas da atualidade, com informação e muita opinião principalmente sobre política.

Sigo tanta gente no Twitter e, casualmente, o tweet da ÉPOCA chamou a minha atenção... O link me levou ao blog do Guilherme Fiuza. Achei interessante a maneira como ele escreve - seus argumentos são muito bons. Então, resolvi colar um texto dele sobre política aqui no meu humilde blog.




Dilma versus Lula




Dilma Rousseff declarou que não viu “nenhuma ação inidônea da ex-ministra Erenice”.

O presidente não se referia, naturalmente, a alguma opção profissional de Erenice Guerra da qual ele discordasse. Lula estava falando tão somente das tais ações inidôneas que Dilma não viu.

“Se alguém acha que pode chegar aqui e se servir, sabe, cai do cavalo. Porque a pessoa pode me enganar um dia, pode me enganar, sabe, mas a pessoa não engana todo mundo ao mesmo tempo”, disse Lula sobre Erenice.

“E quando acontece, a pessoa perde”, concluiu o presidente, a respeito da ex-braço direito de Dilma.
Criador e criatura, como se vê, estão pela primeira vez mal ensaiados. Mas isso é problema deles. O problema do Brasil é entender o que está em jogo no caso Erenice.

E o que está em jogo foi enunciado, com grande clareza, pelo próprio Lula: “chegar aqui e se servir”. É só isso. Nada mais é importante realmente, nem mesmo o resultado das eleições.

O que está em jogo é o que será feito com o Estado brasileiro. E quais as reais intenções de seus dirigentes para com ele. Chegar e se servir, ou chegar e servir.

Fora as torcidas organizadas vermelha e azul, não tem a menor importância para os brasileiros comuns a filiação partidária de quem está no poder. Lula chegou lá e praticou uma política econômica conseqüente, diferente da que seu partido propunha. Nesse ponto, serviu ao Estado e à sociedade. É só isso que o Brasil quer.

Mas o Brasil está confuso. Confunde o seu bem-estar com as bravatas esquerdistas do mesmo Lula, acreditando que a vida melhora porque Lula foi pobre.

E é sob as bravatas populistas que a companheirada oportunista se abriga no Estado, para se servir dele – se possível com cadeira cativa.

Essa é a importância do caso Erenice. Mostrar o quanto há, no Plano Dilma, de privatização do Estado pela casta dos amigos dos amigos. E de controle das instituições para a perpetuação de um grupo no poder.

O autoritarismo provém da mediocridade. Ela é a grande – e única – adversária do Brasil nessas eleições.