sábado, 6 de fevereiro de 2010

PESSOAS MORTAS


Meu avô faleceu em 2006, mas ele nunca foi - nem nunca será - uma pessoa morta. Muito pelo contrário, ele sempre foi cheio de vida, sempre disposto a nos ajudar e sempre com um espírito jovial. Podia até ser reservado, mas sempre era uma presença de paz que me inspirava segurança.
Hoje em dia sinto falta do meu querido avô. Ele era um homem realmente singular para mim, uma fortaleza de normalidade em meio ao mundo conturbado de meu seio familiar. Ele ainda está vivo em minhas memórias, em minha saudade... Diferentemente de muitas pessoas que, apesar de terem um coração batendo e um cérebro em plena atividade, parecem mais é que estão mortas.
Não é de se espantar, mas como nasce um “vivo-morto”? Eu não sei exatamente, mas conheço algumas pessoas que se tivessem consciência de sua morbidez, talvez, com um pouco de sorte, pudessem me responder... Não creio que isso agora seja possível, mas, em todo caso, permitam-me terminar com a reflexão.
 Às vezes um “vivo-morto” pode ser bem persuasivo. Já senti isso na pele, vou elencar algumas de suas características para que você - pessoa cheia de vida - não se deixe enganar pela falsa tortura psicológica que um “vivo-morto” possa exercer...
Eles sempre estão com um olhar de que o mundo inteiro é um show de perdição e de que somente eles conhecem o verdadeiro caminho para a salvação - cuidado! A questão aqui não é religiosa... Eles sempre atacam você instaurando medo, ameaças e fazendo chantagens de caráter emocional. Se isso acontecer, não grite, não revide, não perca o controle sobre a sua mente... Apenas finja que não está escutando - seja indiferente - faça qualquer outra coisa que o coloque em posição de defesa: comer uma fruta, por exemplo.
Além disso, um “vivo-morto” parece ter medo da vida! Então, não há nada mais aterrorizante para eles do que ver alguém feliz, irradiando vibrações positivas! É claro que eles tentam estragar o seu humor com considerações infelizes e inconvenientes... Às vezes, é bem difícil manter a calma, a paz interior intacta...
Possíveis efeitos colaterais: ansiedade e desconforto abdominal. O seu sistema digestivo pode ser seriamente afetado pelos raios negativos emanados por um ser “vivo-morto”.
Tratamento: vá até a casa daquela pessoa que faz você se sentir bem! Fique lá o tempo que for preciso até a sua integridade psicológica e fisiológica estiver restabelecida.
Prevenção: não existe. É impossível fugir completamente desse tipo de pessoa... A pluralidade de indivíduos é tão grande que se tornaria uma missão árdua selecionar para o seu convívio pessoal e profissional somente pessoas vivas... O máximo que se pode fazer é evitar o contato quando reconhecer um “vivo-morto”, mas isso é uma tarefa contínua... Como aquelas lutas tão conhecidas entre o bem e o mal.

*** Dedico este texto ao meu avô Rubens D. de Souza - uma pessoa viva para sempre em minha memória... Tenho certeza de que ele estaria orgulhoso dos meus progressos e que entenderia a razão dessas palavras. ***