segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

A hora da história...

*** Introduzindo... Escrevi "Terras de Alguém" para a professora Celeste em uma prova de redação... Na ocasião, ela me perguntou se eu estava escrevendo um jornal... Talvez devido às exageradas linhas... Mas ela aprovou! Quando mostrei a minha mãe, ela simplesmente adorou! Recentemente ela me perguntou quando eu o postaria no meu blog... Então, atendendo a um pedido da minha mãe, vou postar ele hoje! Confesso que achei o texto um pouco amador, mas eu sou uma escritora em exercício... Peço desculpas pela simplicidade da história, mas, sinceramente, espero que gostem e apreciem a mensagem! ***



Terras de Alguém

Vou fazer uma síntese sobre o que se sucedeu com o senhor Fiburstino quando ele morava no planalto sul-rio-grandense.
Certo dia, houve uma invasão de terras perto da Serra de Encruzilhada. Apareceu por aqueles lados um “doutor” encharcado de lama. Ele reinvidicava com palavras de difícil entendimento a posse daquelas terras. O povo se revoltou com aquela figura absurda, mas a repercussão foi maior ainda quando surgiu do nada o senhor Fiburstino.  No início, o povo se assustou com a extravagância do tal sujeito, mas, estranhamente, pararam para ouvir o que ele tinha a dizer. O senhor Fiburstino sugeriu aos presentes que eles fizessem uma disputa entre si para ver quem ficaria com as terras. O deboche foi geral. A confusão tomou proporções maiores. Que ideia era essa de disputa? Foi grande a contestação, ninguém parecia ceder. Até que o “doutor” encharcado de lama, aceitou o desafio. “E aonde a vaca vai, o boi vai atrás...” Os outros, então, entraram na disputa desconhecida pela posse das terras.
O senhor Fiburstino, satisfeito com sua empreitada, organizou a disposição dos concorrentes em um grande círculo formado apenas por homens. Começou a falar:
- Senhores, minha proposta é simples, mas sua execução é árdua. Eu pretendo encontrar aqui um homem bom, mas que não seja fraco e que tenha coragem de defender seus ideais em prol de um bem maior.
Os homens se entreolharam, mas nada falaram. Quatro deles saíram do círculo e foram embora, pois sabiam que não eram bons, estavam ali apenas para tentar lucrar alguma coisa naquela confusão. Restaram dez homens. E a plateia aumentava. Fiburstino lançou a primeira pergunta:
- Quem de vocês abriria mão dessas terras para salvar a vida de uma pessoa amada?
O “doutor” e mais dois levantaram o braço. Os outros preferiram as terras. Estavam julgando-se muito espertos quando ouviram:
- Aqueles que são capazes de colocar em primeiro lugar a vida de uma pessoa, abrindo mão de um bem desejado, são dignos de disputar essas terras. Os demais estão fora.
Houve certa agitação, mas vamos para a segunda etapa!
- Imaginem que vocês já são os donos dessas terras... Nelas, há muita plantação que dá origem a alimentos preciosos... Pensem na vida boa que vocês estão levando... Porém, certo dia, vocês recebem a notícia de que a população local está sofrendo as consequências de uma seca: as pessoas perderam sua plantação e ficaram sem ter o que comer. O que vocês fariam? Quando estiverem prontos, ouvirei e julgarei as duas melhores ideias.
O primeiro disse que, para resolver o problema, venderia os seus produtos para essa população a um preço acessível. O “doutor” iria doar os alimentos mais abundantes da sua plantação. Já o terceiro faria uma espécie de restaurante comunitário para atender aos famintos. Fiburstino analisou as propostas com muito cuidado. Resolveu escolher o “doutor” e o terceiro candidato, pois eles, nas suas intenções, souberam dividir um pouco do que era seu.
A terceira etapa parecia complexa. Fiburstino solicitou que eles fossem até a cidade, encontrassem um problema e tentassem solucioná-lo. José, que disputava com o “doutor”, encontrou um casal de moradores de rua... Logo pensou que poderia oferecer-lhes um lar se fosse o dono daquelas terras. O “doutor” pensou muito... Encontrou um grande problema: o desemprego. Se fosse o dono daquelas terras, poderia empregar várias pessoas em diversas funções.
Os dois trouxeram seus problemas e suas resoluções. Fiburstino analisou e tomou uma decisão rápida. Olhou para o “doutor” com suas roupas lamacentas e disse-lhe:
- Você tem coragem suficiente para abrir mão de suas conquistas por amor; é solidário e sabe dividir; sabe acolher, ajudando a quem precisa oferecendo-lhes dignidade... As terras são suas!
O “doutor” cumpriu o seu papel, soube dividir as terras para ajudar a população necessitada. Já o senhor Fiburstino, bem, ele desapareceu em seu terno dourado.