sábado, 23 de janeiro de 2010

“A vida é baba e o teatro é cuspe!”

     Calma... Aos mais desavisados, já vem a explicação... Porém, antes disso, pense nas diferenças que podem existir entre a baba e o cuspe... Ora, parece até uma reflexão um tanto estranha a ser feita, mas fez muito sentido para mim na noite de quinta-feira passada.
     A baba é algo involuntário e o cuspe, por sua vez, é gerado propositadamente. Uma explicação bem simples. Mas de onde você tirou isso, Junie? Do teatro!
     Parece ser do entendimento de todos que a vida não pode ser ensaiada, ela simplesmente vai acontecendo e atropelando qualquer projeto pré-definido. Em contrapartida, o teatro nos dá liberdade para planejar, ensaiar mil vezes e refazer tudo se acharmos que não ficou tão bom. No teatro, podemos voltar ao passado e recriar algo já representado milhares de vezes. Enfim, o teatro é o cuspe! Ele é feito de propósito.
     Assistindo ao espetáculo Tangos e Tragédias, os protagonistas nos fizeram refletir sobre babas e cuspes de uma maneira cômica. Por falar nisso, que maravilha de show! O que me lembra o que me traz ao notebook ... Agora sim, começa o verdadeiro post de hoje:

A VERDADEIRA ARTE



     Tenho 18 anos de idade. Vocês estranhariam se eu dissesse que eu não havia ido ao teatro ainda? Pois é! Mas essa talvez seja a realidade de muitos jovens brasileiros. Todos nós sabemos o que de fato é incentivado por aqui, mas isso – HOJE – não vem ao caso. Porém, graças a um convite feito pelo meu tio, eu fui pela primeira vez ao teatro, ao Theatro São Pedro...

     Logo na chegada, já vivenciamos um DRAMA... Ingressos para hoje? Esgotados! Sorrisos murchos. A resolução diante do impasse: comprar ingressos para outro dia... Fazer o quê?! De volta à fila, uma surpresa!

     - Senhor, houve uma desistência de um sócio para hoje. Vocês se interessariam?
     - SIM! – em coro.

     Plateia, cadeira 26... Uau! Que vista! Que lugar esplendoroso! Que atmosfera inspiradora! Não pude deixar de lembrar da Opera House do Fantasma da Ópera... O lustre, as cortinas vermelhas, as cadeiras estofadas, os camarotes, a delicadeza dos detalhes do ambiente... Uma verdadeira obra de arte!



     Passando o impacto visual que sofri... Começa o show! Meus batimentos cardíacos se aceleraram. Eu não sabia o que esperar, mas estava tão ansiosa pelo novo! Que noite! Tangos e Tragédias para mim foi uma comédia divina. Que artistas - artistas de verdade! A expressão daqueles dois... Eu nunca havia visto algo tão mágico!




     Descobri que o teatro tem uma magia diferente... Eu ri, eu me emocionei, eu me encantei... Houve interação entre o público e os artistas. Na saída, dissemos adeus em grande estilo. Fomos até a frente do teatro, na rua mesmo... E mandamos “Bah!” em diversas direções... Mandamos o sentimento de alegria impregnado em nossos corações, mandamos embora as tristezas da vida e vivenciamos aquilo que só os sonhos são capazes de nos proporcionar:





      - Não, eu não quero acordar agora...