terça-feira, 10 de novembro de 2009

Os outros, nós, você e eu...

Por que é tão difícil relacionar-se com as pessoas que amamos? Será que é por que nós as conhecemos bem? Será que é por que nós gostaríamos de conhecê-las melhor? Será que é por que não entendemos como elas podem não nos amar o quanto nós as amamos? Tudo isso é tão complicado... Tenho delírios noturnos de pensamentos que me vêm à cabeça para tentar encontrar a solução para esse dilema.

Sim, a vida é muito mais que isso... Tem pessoas que não esquentam a cabeça! Vivem intensamente muitas relações, experimentam e numa dessas se encontram, namoram, casam, têm filhos... Enfim, aquela coisa tão cotidiana! Não digo que os julgo... Na verdade, julgo a mim mesma. Por que eu sou um ser tão impossibilitado de ser normal? Eu assassino todos os dias o direito de não pensar que naturalmente temos. Acredito que o meu sistema nervoso central o odeie. Ele age tão pura e insuportavelmente pela razão!

Os outros devem me chamar insana quando na verdade o que me falta é exatamente essa loucura de ser. A minha se perdeu... Ou nunca nasceu. Mas o que importa realmente para mim?

Não sei, não sei... Às vezes amo o meu jeito de ser... Às vezes sinto-me rejeitada pela raça humana. Será que isso é anormal? Às vezes pareço que sou obra de arte admirável, mas intocável... Pois simplesmente não me encaixo em nenhum grupo. Tenho a vã esperança de que possa encontrar seres semelhantes na vida acadêmica, mas já fui advertida que é provável que eu carregue esse sentimento de singularidade pelo resto de minha vida... E o que me resta?

Não quero parecer presunçosa, não sou... É que penso, penso demais, penso a todas as horas do dia, reflito minuciosamente sobre tudo e me perco no vazio que as respostas que não se completam me deixam. É como nadar, nadar no mar em direção à costa e nunca atingi-la. Enquanto eu me vejo assim, escrevo... Pois esta, sim, parece ser a única forma de aliviar minha inquietação.